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O nemátodo do pinheiro, uma catástofre nacional à vista?

quarta-feira, 19 de outubro de 2011
O nemátodo do pinheiro, uma mosca ou escaravelho, já bem identificado, tem a sua época de reprodução entre Maio e Outubro. Este ano as condições meteorológicas parecem ter-lhe sido bastante favoráveis, e o resultado etá aí: as encostas de pinheirais estão salpicadas de pinheiros amarelecidos e a caminho da morte total.

Nos dois ou três últimos anos o governo, com o apoio da União Europeia, colocou em prática algumas acções de combate à doença que, no entanto, se mostraram claramente insuficientes: colocaram-se armadilhas para captura dos insectos, fez-se algum corte das árvores doentes mas a doença continua com grande força, o que prenuncia os piores cenários para o futuro das florestas de pinho nacionais podendo, inclusivé, vir a transmitir-se a outras espécies florestais.

Como se pode ver num dos textos que se segue, em meia dúzia de semanas o pinheiro pode passar de saudável à morte.

Cada pinheiro doente pode infectar árvores num raio de 50 metros, o que é facilitado pela densidade das matas e pelo facto de as manchas de pinheiros serem, em regra, vastas e sem interrupções por outras espécies florestais.

Em Portugal tudo terá começado com a “importação” de madeira contaminada para a “Expo 98”. Passado um ano, a doença apareceu na província de Setúbal.
A falta de cuidado sanitário no transporte dessa madeira para o centro do país propagou a doença como um rastilho e aí a temos, provávelmente incontrolável e pronta a provocar uma verdadeira catástrofe económica e ambiental sem precedentes.

Por isso o Seminário sobre o Nemátodo promovido pela Associação de Produtores
Florestais do Planalto Beirão em Carregal do Sal, no próximo dia 26 de Outubro, a partir das 14:30 h. (na Câmara Municipal) faz todo o sentido e deve ter a participação de todos.

António Abrantes



Alguns textos com interesse sobre o nemátodo:

1 - Do “Congresso Internacional sobre o Nemátodo do Pinheiro, 22 de Agosto de 2001”.

“O nemátodo do pinheiro (Bursaphelenchus xylophilus), é geralmente transportado por insectos do género Monochamus, que desovam nas árvores. Ao fim de uma semana, as larvas eclodem e escavam um túnel no pinheiro, atingindo o estado adulto em cinco dias. Nos 28 dias que se seguem, cada nemátodo põe 80 ovos, obstruindo os canais da resina e secando a árvore.

Este nemátodo pode ser habitualmente encontrado na América do Norte (EUA, Canadá e México) e na Ásia Oriental (Japão, Coreia, China e Formosa). Foi identificado pela primeira vez na Europa por Manuel Mota, em 1999, precisamente na Península de Setúbal, em resultado de um projecto de investigação levado a cabo pela Universidade de Évora e pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária. O Governo iniciou, então, uma campanha para o seu controlo e erradicação, sob direcção do Ministério da Agricultura, acabando o parasita por ficar confinado a um raio de 30 quilómetros na área de Setúbal. Durante 2000 e 2001, a investigação científica trouxe novos dados sobre os parâmetros morfológicos do nemátodo, bem como a sua caracterização molecular, muita dela desenvolvida no Laboratório de Nematologia da Universidade de Évora, que será hoje visitado pelo Ministro da Ciência e TecnologiA.”


2 -“De 20.5.2011

Portugal “corre o risco de ter de abater um milhão e meio a dois milhões de árvores”, por causa do nemátodo da madeira, alertou hoje, na Mealhada, o presidente da Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal (AIMMP).

“Quanto mais tarde se fizerem os cortes cirúrgicos” de resinosas expostas àquela doença “mais se corre o risco de se terem que fazer cortes rasos”, afirmou Fernando Rolin, que falava à agência Lusa à margem de um debate sobre “as opções político-partidárias para a fileira da madeira e do mobiliário”, com representantes dos cinco maiores partidos com assento na Assembleia da República, promovido pela AIMMP.

Afirmando desconhecer as razões pelas quais o corte cirúrgico de árvores contaminadas ainda não foi feito e/ou continua a ser adiado, Fernando Rolin não tem dúvida, no entanto, de que a perspectiva de se terem que cortar mais de um milhão e meio de árvores (essencialmente
pinheiros) é “muito forte” “.

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