O Negócios dedica hoje 3 págs a uma grande entrevista à beijosense Mariana Abrantes. Deixo aqui alguns extractos que me parecem dos mais relevantes.
«Temos que ser realistas: já demonstrámos que não conseguimos controlar bem empresas públicas, que não conseguimos controlar bem EPE, não conseguimos controlar autarquias e governos regionais. O que se controlou foi o Orçamento que ficou no controlo directo da DGO.
Todas as modernices orçamentais abriram buracos.»
«Os critérios de Maastricht têm de ser revistos, por dois motivos. Primeiro, focam a questão errada –
o nosso problema não é de dívida pública, mas de balança de transacções correntes. Por outro lado, criaram uma ilusão de disciplina orçamental, porque o défice até desce. Por exemplo, antigamente, a Refer não ia ao mercado ou ia muito pouco, e se quisesse fazer investimentos, recorria ao PIDDAC. Contava para a despesa e para a dívida pública. Com as novas regras criou-se uma ilusão de disciplina orçamental com estas empresas a endividarem-se directamente, tecnicamente fora da despesa e da dívida pública.»
«P. Está previsto que até Março uma consultora internacional faça uma análise das PPP que podem ser renegociadas...
R. Há 20 pessoas no Estado que poderiam fazer essa análise,
não sei porque precisam de uma consultora internacional quando muitas têm conflitos de interesse pelo seu envolvimento no aconselhamento dos promotores e dos bancos nestes negócios.
P. Porque há pessoas no Estado com conhecimento e capacidade e que não estão a ser usadas?
R. Boa pergunta.»
Mariana Abrantes admite ainda que houve «erro de cálculo» ao pedir apenas 78 mil milhões [o que na altura foi denunciado por alguns especialistas que defendiam uma 'ajuda' maior]. Por outro lado, considera que o ajustamento [leia-se perda de poder de compra ] não está a ser rápido demais.