João Pais Pinto
terça-feira, 21 de janeiro de 2014Homenagem a Afonso Costa - 2
quarta-feira, 24 de novembro de 2010Não sei o que eu parêço
Veijo-me em guerra metido
Ao fonso Costa agradeço
É este o "mote" de um dos poemas onde José Pais dos Santos evidencia o sentimento dos soldados relativamente ao político que, na sua visão, os tinha levado à guerra.
Tudo leva a crer que Portugal fez um grande esforço para ser admitido na guerra. Havia a convicção, entre os líderes republicanos, de que Portugal devia ir à guerra, só não havia consenso sobre contra quem. Curiosamente, enquanto A Portuguesa nos incitava a marchar contra os bretões, seria sob o seu comando (por assim dizer...) que o Corpo Expedicionário Português viria a combater na Flandres. Em 1890, o Partido Republicano Português ganhara força e estímulo apresentando-se contra a Inglaterra. Em 1916, Afonso Costa declara Portugal «ligado como está ao destino, às vicissitudes, às dificuldades, às dores, ao sofrimento, como amanhã estará também ligado à vitória imarcessível da sua aliada, a Inglaterra».
Da declaração de guerra que recebemos do Governo Imperial Alemão, depreende-se que o Governo de Afonso Costa esticou a corda. Apesar de todo o sentimento patriótico e de a guerra ter conseguido um efeito agregador de curto prazo, viria a prevalecer, entre os soldados desanimados na frente, a ideia de que Afonso Costa era o culpado do seu sofrimento.
Homenagem a Afonso Costa
segunda-feira, 22 de novembro de 2010Este nasceu em Caura
terça-feira, 26 de outubro de 2010A República e o republicanismo em Beijós
quarta-feira, 6 de outubro de 2010Ouvir alguns debates e relatos sobre a República implantada em 1910, sugere-me dois ou três ideais ou valores republicanos que tiveram alguma materialização em Beijós, que informaram gerações e de que ainda hoje beneficiamos.
Um desses valores fora a profusão de jornais e revistas que se publicaram naquela época. Essa tradição de leitura de jornais chegou até hoje, embora nas últimas décadas tenha sido algo diluida pela televisão e pela internet. Os jornais, a comunicação escrita em geral, também em Beijós fora, durante várias décadas, o grande veículo de informação e de formação cívica e política, apesar do analfabetismo de muitos habitantes e dos ataques mais ou menos velados de alguns conservadores que epitetavam os republicanos de “jacobinos”, como se isso fosse uma grande ofensa.
“O Século”, o “Diário de Noticias”, “O Primeiro de Janeiro” e o jornal “República”, alguns recebidos por assinatura, eram lidos diariamente por algumas dezenas de pessoas em Beijós entre os quais António Campos Baptista, João Pais Baptista e José Abrantes, três republicanos de primeira água que transportaram ao longo das suas vidas os ideais da República e os divulgaram à sua maneira.
Outro dos valores importantes do republicanismo fora o associativismo. Em Beijós esse ideal e prática materializou-se, em boa hora, na criação da “Associação de Educação e Recreio de Beijós”, em 1949. Como se sabe, em particular através da foto dos fundadores existente na Associação, José Pais dos Santos, autor do celebrado “Diário de Guerra”, fez parte desse grupo fundador e José Abrantes fora o primeiro presidente da Direcção, sendo primeiro secretário António Marques Baptista, felizmente ainda entre nós, jovem e de boa saúde.
E, repare-se que, no nome original da Associação estava a palavra “Educação”, exactamente uma das bandeiras da revolução republicana de 1910. Não fora por acaso. A Educação era uma questão central no ideário republicano e que tão desprezada fora nos 45 anos do “Estado Novo” de Salazar.
Será que na Iª República a Educação tivera melhor tratamento que no salazarismo?
Não tenho dúvidas. Só um exemplo: em 1953, a turma da 4ª classe na escola de Beijós , que incluia as Póvoas, tinha apenas 2 alunos. No periodo da Iª República (1910-1926) quase de certeza esse número era superior, não obstante a população residente ser sensivelmene menor.
Se a importância dada à Educação se tivesse mantido no tempo de Salazar como na Iª República Portugal seria, hoje, um país muito mais desenvolvido e, provavelmente, não teria suportado tanto tempo a ditadura.
A I ª República cometeu erros e teve insuficiências. Mas o balanço é francamente positivo, como é dito e redito nestas importantes comemorações do Centenário.
Por tudo isso se pode dizer que Beijós aderiu e aplicou os ideais da República e dos republicanos de 1910.
Assim, fica bem uma toponímia como “Rua Miguel Bombarda” ,“Rua Afonso Costa” ou mesmo “Rua Abade Pais Pinto”. Sem dúvida, o espirito republicano e os ideais da Iª República sempre estiveram bem vivos em Beijós.
A. Abrantes
Ver mais sobre Abade Pais Pinto, e comemorações republicanas em Beijós
Temas: ACDB, Centenário da República, Eventos, História de Beijós, Toponímia
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