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Encerrou a escola de Beijós

domingo, 10 de janeiro de 2010
«Depois da moderna reforma do seminario Episcopal de Vizeu em Maio de 34, que de seminario de doutrina, e moral christã, passou a ser quartel de soldados, e suas mulherinhas, residia o Padre Luiz Coelho Machado, ex-alumno do dito, em Beijoz, sua patria, dedicado ao ensino e educação da mocidade, e de todas as freguezias vizinhas concorrião ali varios mancebos para aprenderem a grammatica portugueza e latina, o ensino primario, logica, e filosophia racional e moral, ao que tudo se prestava de graça porque seguia a regra - gratis accepistis, gratis date. Mas o "progresso" não podia deixar de visitar tambem aquelles povos e levar os seus "beneficios influxos" até aos mancebos, que, sem se importarem do andamento do mundo, cuidavão só de seu aproveitamento literario. O ex-seminarista foi accusado de propagador das doutrinas do Bispo, de fautor da dissidencia dos Padres, etc.
A perseguição religiosa deste Bispado ia em crescimento, occasionado em grande parte pela "tolerante" Portaria, que mandava devaçar dos Padres, em virtude do que abriu-se uma devaça religiosa no julgado de Oliveira do Conde (ou Carregal), foi nella involvido o sobredito Padre, e perseguido constantemente desde o fim do anno de 38 ou principio de 39, e foi violentado a emigrar da sua patria. A mocidade, privada deste recurso, ficou ali sem meio de educação litteraria, ou religiosa, por que os homens do dia são mais zelosos na colheita do subsidio litterario do que em proporcionarem aos povos meios de instrução

Correspondência de Viseu, publicada no jornal O Ecco, edição de 22-6-1840. Os sublinhados são meus.

3 Comentários:

beijokense disse...

O Padre Luiz Coelho Machado residiu, com seus irmãos, que foram também padres e doutores de leis, na casa que hoje é dos herdeiros do sr. Duarte e do sr. José d'Aguieira. Esta geração resultou do cruzamento dos Coelhos de Beijós com os Machados da Aguieira. Um dos irmãos, António, foi sub-director do Colégio de S. Bento (Universidade de Coimbra).
O Beijós XXI já publicou um documento escrito por Luiz (aqui).

António disse...

"...Beijoz sua patria..."

:)

beijokense disse...

«Há é uma outra explicação, que nunca é referida: nenhum desses países que conseguiram uma alfabetização de massas durante o século XIX o fez contra a Igreja; foi sempre em articulação com ela. Ora em Portugal, primeiro com os liberais, a partir de 1820, e depois com os republicanos, o Estado não só tentou alfabetizar a população contra a Igreja, como entendia que a alfabetização era um veículo para substituir a educação religiosa por uma educação cívica formatada em Lisboa. As ordens religiosas, que em muitos países foram fundamentais para criar uma rede de escolas, em Portugal não podiam sequer ensinar a ler durante a Monarquia constitucional. Ou seja, tínhamos na Igreja uma instituição que podia ter sido fundamental para a alfabetização da população e preferimos chamar tudo para a alçada do Estado, que não tinha recursos e, portanto, falhou.
Foi por um excesso de Iluminismo que se produziu o obscurantismo.»

Lido aqui:
http://ipsilon.publico.pt/livros/texto.aspx?id=249107

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