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Movimento Pro Ribeira Limpa mobiliza-se para Salvar a Ribeira de Beijoz

2022/02/20

"Já viram a ribeira hoje?" 

Esta frase substituiu o habitual  "Bom dia" ou "Boa tarde" quando os beijosenses se cruzam à ponte, nas lojas, nos cafés, na igreja, nas bombas, no autocarro, nas escolas ou na sala de espera do Centro de Saúde. 

O rio de espuma oriunda de descargas poluentes de Nelas a montante agravou-se e continua ainda bem visível à Fonte dos Amores e no Poço da Relva.  Isto assusta e ameaça a saúde da Aldeia que Trabalha e que Vive, em grande parte, da agricultura e da pecuária. 

Movidos pela indiferença e as promessas vãs das autoridades ambientais perante esta ameaça ambiental inaceitável, os beijosenses juntaram-se esta semana para criar um 

Movimento Pro Ribeira Limpa que pretende, não só  PARAR a POLUIÇÃO JÁ !

mas também para proteger e salvar a Ribeira de Beijoz, dita de Travassos, e defender os nossos direitos a água limpa e segura. 

A poluição da nossa Ribeira acaba por prejudicar todos as povoações e os cursos de água a jusante, o rio Dão, Ferreirós, a Albufeira da Barragem da Aguieira, o rio Mondego ... até à Figueira da Foz. 

Continuaremos a dar notícias do Movimento Pro Ribeira Limpa e do combate a esta grave ameaça ambiental. 

Acompanhem o Movimento, informem-se  e partilhem nas redes sociais e na comunicação social, não só de Beijós mas de toda a região do Dão. 

no  Facebook e no Instagram, na página do Movimento

https://www.facebook.com/MovimentoProRibeiraLimpa/photos/pcb.1558758897822775/1558757264489605/

No  Grupo do Movimento  https://www.facebook.com/groups/336796718384810                      

Na página do Beijós XXI https://www.facebook.com/beijoz.xxi

no Grupo do Beijós XXI  https://www.facebook.com/groups/253953272132476

Haverá também uma reunião de interessados na próxima quarta-feira, 23-Fev-22, pelas 21h00

Para mais informação, favor contactar:  movimentoproribeirabeijoz@gmail.com

Beijós em risco com poluição persistente da Ribeira

2022/02/05


Beijós, uma aldeia milenar  que vive pelas três ribeiras e prados verdes, está em risco. 

A Ribeira de Beijós (dita de Travassos) vai  branca há vários dias, semanas, meses... 

A ETAR de Nelas  volta a descarregar detergentes e sabe-se lá mais quê para a nossa ribeira de Beijós.  O Poço da Relva vai branco. 

O povo de Beijós está revoltado. 

Onde estará quem nos defenda dos abusos dos vizinhos a montante? 

Dizem que não se pode fazer nada, que a ETAR de e a Câmara de Nelas estão legal?  

Só que for uma legalidade tão suja como a água anormalmente branca.  

Foi submetida uma queixa em Bruxelas:  Em resposta de Novembro 2021, a Comissão Europeia afirma que, “de acordo com as informações comunicadas por Portugal ao abrigo da DQA, o estado ecológico da Ribeira de Beijós/Ribeira de Travassos é “moderado” e referem que o estado químico é “desconhecido”. 

Esta resposta indica também que o concelho de Nelas NÂO CUMPRE o disposto no artigo 4º da DQA, “uma vez que não trata as suas águas residuais de forma a satisfazer o nível de tratamento secundário (biológico)”.

CM Nelas intimada a prestar informações sobre as descargas poluentes na ribeira de Beijós (dita de Travassos)

2021/07/19

 No seguimento das descargas poluentes na Ribeira de Travassos que atravessa Beijós desde 17-Junho-2021, fomos assistir à Assembleia Municipal de Nelas para conhecer “os vizinhos a montante” e apresentar as preocupações sobre a qualidade da água na nossa ribeira.

A Assembleia Municipal de 25-Junho foi presidida por António Borges dos Santos, com a presença do Presidente da Câmara Municipal José Borges da Silva. Tivemos oportunidade de falar no período para intervenção do público bem depois da meia noite:
“Boa noite a todos! Muito obrigada pela oportunidade de falar a esta distinta assembleia. Somos Mariana Abrantes, José Moura e Paulo Sousa Batista, vice-presidente da Junta de Freguesias, vossos vizinhos de Beijós, uma aldeia com 3000 anos, centrada nas ribeiras e na agricultura.
“Viemos de Beijós para conhecer melhor a Camara e Assembleia Municipal de Nelas, cujas atividades têm grande impacte em Beijós imediatamente a jusante, nem sempre positivo.
“Aproveito para informar que hoje 25-Junho enviei por, correio registado, um pedido de informação ao abrigo do artigo 82º do Código do Procedimento Administrativo à Presidência da Câmara Municipal de Nelas. As informações que solicitei têm a ver com a gestão dos riscos ambientais do tratamento dos efluentes, domésticos e industriais, de Nelas, nomeadamente as descargas repetidas na ribeira de Travassos, que atravessa a aldeia de Beijós.
Nós os beijosenses sentimos-mos de luto e muito preocupados com a nossa preciosa ribeira. Por isso estamos ansiosos por saber o que continua a acontecer de descargas impróprias, o que continua a falhar e o que está previsto com a nova ETAR III..
Nelas tem feito e continua a fazer descargas poluentes na Ribeira de Travassos, e de Beijós, sem sequer dizer “água vai”, sem informar, sem compensar, sem pedir desculpa. Permitam-me que venha aqui, à vossa casa, dizer que isto não é aceitável para a população afetada a jusante, desde Beijós à Figueira da Foz. Obrigada"
O Presidente da Câmara Municipal de Nelas José Borges da Silva respondeu:
Os problemas recentes na Ribeira de Travassos têm a ver com a fase de arranque e afinação da nova ETAR III, que dura 90 dias (desde fins de Abril?). Estão a fazer o necessário para resolver as DESCONFORMIDADES. O problema da espuma tem a ver com detergentes industriais e poderá ser resolvido pela aplicação de filtros de carvão no próprio pré-tratamento.

O PCM Borges da Silva leu o relatório das análises da amostra 15594 colhida a
16-Junho-2021, 0h00 antes das descargas, sobre os seguintes parâmetros:
•Carência Química de Oxigénio 90 mg/L O2 (< MAX 125(L )
•Carência Bioquímica de Oxigénio 26 mg/L O2 (> MAX 25)
•pH 7,0 (6-8)
•Sólidos suspensos totais 4 mg /L (<35 mg /L)
•Detergentes na água não foram medidos porque não estão sujeitos a VLE (Valor Limite de Emissão) legais!! No entanto deixaram um resíduo branco no rego à ponte.
Ouvimos o Presidente da Câmara pedir desculpa aos beijosenses presentes na Assembleia Municipal de Nelas de 25-Junho-2021 por décadas de poluição.
Convidámos todos os autarcas e o público de Nelas a visitarem Beijós para conhecer em primeira mão o impacte negativo a jusante das DESCONFORMIDADES de Nelas.
Mariana Abrantes

Rio Dão vai cheio

2018/03/17
Ainda não é neste ano de 2018  que se consegue regularizar o caudal do rio Dão.  

A água que agora ronda as caves das casas de Sangemil em Março, vai fazer muita falta nos prados em Agosto. 




VER Gestão do Rio Dão - Das Cheias à Seca Extrema

 A água, das cheias catastróficas à seca extrema 

Portugal, em boa medida, é um país de extremos climáticos.

Vários meses praticamente sem chover e, quase todos os anos, há cheias e inundações, algumas com danos catastróficos.
Dizem-nos, isto é próprio de um clima mediterrânico, que é o nosso. É verdade.

“Fazer” chover um pouco todos os meses, evitar tempestades de fogo como foi o caso dos grandes incêndios deste ano - o furacão Ophélia espalhou, em poucas horas, o fogo por metade do país, o fogo que alguém ateou, reduzir as situações de seca  extrema, não vai ser fácil, no futuro. Direi que o que aconteceu e está a acontecer este ano vai voltar, e disso não podemos fugir.

Um  país não pode mudar a sua latitude no contexto do globo terrestre mas poderá, com conhecimento, engenho e arte, minorar os efeitos negativos da sua situação geográfica, tomar essa situação como um dado e adaptar-se de modo a reduzir  esses efeitos negativos.´

Este clima mediterrânico também tem aspectos muito positivos. É o caso do nosso SOL, que atrai turistas de muitas paragens, são as temperaturas amenas, etc. E como não se pode ter  o sol na eira e a chuva no nabal ao mesmo tempo, há que saber viver com as situações e prepararmo-nos melhor para elas.

Considero muitíssimo importante que os responsáveis pela gestão da água venham a público falar sobre estes problemas cadentes e que tocam a todos.

Depois dos grandes incêndios recentes, os riscos sobre a poluição das águas superficiais, em resultado do arrastamento das cinzas que as chuvas vão provocar, precisam de ser ponderados, discutidos e de medidas que reduzam os seus efeitos. Será que a água que bebemos vai ter, nos próximos meses,  a qualidade que todos esperam?

Começa a ser por demais evidente que o país precisa de ser alertado, diria mesmo abanado,  para a necessidade de poupar, usar com parcimónia (como diz o ministro do ambiente), cuidar da qualidade desse recurso essencial água que continua a não ser satisfatoriamente gerido (está à vista) em termos de custos e de quantidade presente e futura.

Como é que se conjuga esta seca extrema e agora a despesa enorme em transporte de água com as cheias que todos os anos acontecem  em muitos dos rios deste país, nomeadamente nas bacias do Dão e do Mondego?

“Existem em Portugal cerca de 250 grandes barragens, com altura superior a 15 metros ou armazenamento superior a 1 hm3 (1 milhão de metros cúbicos). (ver barragens em Portugal)
Algumas destas barragens foram construídas a fim de criar armazenamentos de água capazes de garantir, nuns casos, o fornecimento de água para rega, e, noutros, o abastecimento público, sobretudo nas regiões de maior irregularidade de recursos, em particular no sul e no Interior.” Fonte: Agência Portuguesa do Ambiente”.

“250 grandes barragens” já é muita barragem. Mas das duas uma, ou estão mal distribuídas pelos diversos rios que temos ou o sistema de gestão de todos estes recursos  hídricos não é feito como devido e como o país precisa.

Não terá sido um erro o abandono, em abril de 2016, da construção da barragem de Girabolhos/Bogueira no rio Mondego,  por decisão do atual governo?

O rio Dão, um rio típico de planalto,  nasce em Aguiar da Beira, tem um percurso de 97 Km, chega à barragem da Aguieira, próximo da Santa Comba Dão e tem como afluentes cerca de uma dezena de outros rios e ribeiras (rio Criz, rio Pavia, ribeira de Beijós,etc.).

Não daria para construir uma outra barrgem,  pequena ou média que fosse, a montante das Termas de Sangemil, no rio Dão?  Correndo aí num vale relativamente fundo e encaixado, talvez que os impactos ambientais e de inundação fossem aceitáveis e menores do que o impacto de “altear” a barragem de Fagilde, como que se tem falado.

António Abrantes, economista
Nov-2017

Salvemos as ribeiras e os campos verdes de Beijós

2015/06/04
Os montes e vales de Beijós são povoados há mais de 3.000 anos, segundo os vestígios milenares recolhidos no Museu Municipal de Carregal do Sal, graças sobretudo à abundância e à qualidade das águas das suas ribeiras e dos seus campos férteis.  

Mas o nossa ecologia é  frágil, especialmente quando sujeita aos abusos que se verificam a montante na bacia hidrográfica da Ribeira de Travassos, que inclui os campos férteis de Beijós mas que prossegue para o Rio Dão, onde desagua,  a própria barragem da Aguieira, o Rio Mondego, até ao mar.

Não há qualquer conflito entre os postos de trabalho numa empresa e o meio ambiente.  Aliás eles só terão futuro, as pessoas que lá trabalham só se podem sentir minimamente seguras, se a empresa fizer os investimentos que tem de fazer para deixar de poluir os cursos de água públicos. 
E enquanto não for construída uma solução definitiva, os seus efluentes devem ser canalizados  para estações de tratamento. Custa dinheiro? Pois custa. Mas tem que ser a empresa poluidora a assumir esses custos e não os milhares de utilizadores da água pública das ribeiras e rios.

Os autarcas dos municípios de Nelas, de Carregal do Sal e Santa Comba Dão não podem ficar de braços cruzados à “espera que a tempestade passe”.  Como reguladores e zeladores dos interesse público, também eles são certamente responsabilizados, politicamente e não só.  




Carregal do Sal, Santa Comba Dão e Tábua com água mais cara

2014/04/25
Em Beijós, a melhor água é a do antigo chafariz. 
Faz bem um passeio para ir buscar água, agora com garrafões em vez de cântaros. Até há pessoas de fora a abastecer em Beijós. 

Até porque a água da rede pública das Águas do Planalto é cara, como diz este estudo da DECO, Defesa do Consumidor:

Terras do Bouro continua a ser o município com a tarifa mais baixa, enquanto Santo Tirso e Trofa praticam os preços mais elevados. Estudo da Deco revela também falta de transparência na informação sobre preços. 
 
Um estudo da associação de defesa do consumidor Deco revela grandes assimetrias nas tarifas da água em Portugal. A diferença de preços pode atingir os 220 euros anuais “para um consumo de água de 120 metros cúbicos”. 

“No saneamento, no mesmo cenário, essa dispersão também é bastante elevada e às vezes é 17 vezes mais”, refere à Renascença Antonieta Duarte, da Deco. 

O estudo mostra que Terras do Bouro continua a ser o município do país com a tarifa mais baixa da água, a que se juntam Barrancos e Mondim de Basto. Entre os que praticam os preços mais elevados estão Santo Tirso, Trofa, Paços de Ferreira, Carregal do Sal, Santa Comba Dão e Tábua. 

Quanto à informação sobre a formação de preços, a associação de defesa do consumidor considera haver falta de transparência. 

No que toca à privatização da água, a Deco volta a mostra-se contra. 

“Se existir uma determinada procura de água expectável para o ano ‘x’ e a concessão não tiver a garantia de que essa quantidade de água é consumida, o município acaba por pagá-la, independentemente de ter sido consumida. A água é, portanto, paga pela Câmara Municipal e uma das formas de a pagar é fazer reflectir esse valor nas facturas do consumidor”, explica Antonieta Duarte.
22-04-2014