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Minifúndios agravam risco de incêndios

sexta-feira, 11 de maio de 2018
Este mapa parcelário à esquerda não é de Beijós, mas podia ser.
Note-se o rendilhado com longas linhas paralelas do cume para o ribeiro a definir as numerosas tiras de terreno estreitinhas.  Em muitas destas parcelas de minifúndio nem será possível um trator dar uma volta, muito menos um autotanque dos bombeiros.

O mapa colorido à direita também não é de Beijós, pois ainda nos falta um Plano de Gestão Florestal para a aldeia.
O estudo "Portugal Wildfire Management in a New Era" do especialista americano Mark Beighley (Fev 2018) aponta as principais causas dos incêndios desastrosos de 2017.
Segundo e especialista americano, Portugal tem um dos maiores níveis de risco de incêndio florestal na Europa,  e o risco continuará a subir, podendo a área ardida saltar de 500 mil hectares para chegar a 750 mil hectares/ano.
As principais causas do elevado risco de incêndios rurais e florestais em Portugal incluem:

  1. Mudanças demográficas, urbanização e emigração
  2. Elevada vulnerabilidade às alterações climáticas 
  3. Mudanças no uso da terra, com cada vez mais terras abandonadas.  Cerca 80% das florestas não são geridas porque não são comercialmente viáveis.  As despesas de manutenção da floresta são elevadas, o que torna o abandono uma decisão lógica,  quer da parte dos proprietários presentes quer dos proprietários ausentes.  
  4. Fragmentação da propriedade dos terrenos, com numerosos minifúndios, o que dificulta e desestimula o investimento em gestão florestal e planeamento para a prevenção de incêndios.  Apenas 3% das florestas portuguesas são propriedade do Estado e das Autarquias, comparado com 30% em Espanha e mais de 70% em alguns outros países europeus. 
  5. Elevado número de ignições, 98% das quais são de mão humana, incluindo 16% por reacendimento devido a ineficácia de ações de rescaldo. 
  6. Insuficiente planeamento e execução de planos de prevenção e combate 

Convenhamos que não podemos controlar as tendências demográficas nem as alterações climáticas.
Já o rendilhado dos minifúndios é da nossa lavra, é o resultado indesejável de um conjunto de leis e tradições cujas consequências negativas estão à vista. 

As pequeninas parcelas, os minifúndios, são insustentáveis em termos em termos económicos, e por isso passam a ser insustentáveis em termos ambientais, contribuindo para riscos ecológicos cada vez maiores.

O fogo distingue espécies de árvores, mas não reconhece estremas nem limites de propriedade.
Está na hora de aceitar essa realidade e promover o emparcelamento para criar fazendas que possam ser geridas para a sustentabilidade.

Só que os custos de transação, o IMT, os registos, o imposto do Selo, os honorários notariais são elevados e não há apoios para isso o emparcelamento.
Vais-se deixando tudo em nome do trisavô...entregue às silvas e às chamas.
Ver to estudo de Beighley em https://www.isa.ulisboa.pt/files/cef/pub/articles/2018-04/2018_Portugal_Wildfire_Management_in_a_New_Era_Engish.pdf

Plano Floresta Sustentável para uma Aldeia+VERDE, hoje 8-Maio, 19h

terça-feira, 8 de maio de 2018

Planta a tua Ideia para uma Aldeia+VERDE !
Os alunos da Escola Superior Agrária de Viseu responderam ao desafio.
E trazem uma equipa reforçada com professores da ESAV e especialistas da Quercus, para nos ajudar a preparar o futuro da nossa aldeia.   

 Não faltem !


Workshop: Plano para UMA  Floresta Sustentável para Beijós, Carregal do Sal
Data:           terça-feira, 8 de Maio, 19h00
Local:          Junta de Freguesia de Beijós



Ribeira de Beijós vai cheia

sábado, 17 de março de 2018
A ribeira de Beijós vai cheia.
A água corre, corre pelas encostas, pelos agueiros, pelos caminhos.


Tomara que a água  esperasse até Agosto. 
Faltam as represas de antigamente.

Faixa de Proteção contra Incêndios Rurais

Para quem ainda não teve acesso, eis aqui os folhetos da Câmara Municipal de Carregal do Sal sobre a Faixa de Gestão de Combustível para proteção das aldeias e das casas isoladas.

O trabalho de limpeza de matos continua, especialmente para criar faixas de corta-fogos.

As chuvas chegaram finalmente em Março a oferecer esperança para o fim da seca.

O rio Dão e as ribeiros vão cheios. Mas a água que ameaça inundar agora vai fazer falta em Agosto, para não falar de Julho, ou de Outubro.

Cabras sapadoras essenciais para limpar corta-fogos

segunda-feira, 12 de março de 2018
O Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural  Miguel Freitas deu uma entrevista na AgroVida de 2-Março-2018

Pelo que se entende, rebanhos de cabras sapadoras serão essenciais para a gestão do combustível florestal na rede primária de  "faixas de defesa da floresta", grandes "autoestradas" florestais com 125 metros de largura.

As áreas de intervenção prioritária serão definidas pelo ICNF.  
O Ministério da Agricultura vai fazer contratos (de prestação de serviços) a 5 anos, com 
* o detentor de rebanhos de cerca de 200 cabras; ou 
* o detentor de terrenos florestais de 100-200 hectares 
(encabeçamento de uma cabra/hectare, de pastagem, não estabuladas)
O Ministério vai contribuir com subsídio para complementar o rendimento do proprietário e do pastor e assim remunerar a prestação de serviços eco sistémicos (ver abaixo).
  • 120 euros /hectare, para 200 hectares no ano 1
  • 120 euros /hectare novo, para 200 hectares, mais 25 euros /hectare que mantém, no ano 2 e seguintes 
Com um rebanho de 200 cabras sapadoras omnívoras (bush eaters), o prestador de serviços vai gerir até 1000 hectares de faixa florestal, e receber até 200 mil euros em 5 anos.  Poderá haver também um subsídio adicional de até 2000 euros para uma cerca amovível por rebanho, a fim de concentrar a pastorícia e deixar as áreas mais limpas. 

O pacote orçamental  inicial consistirá em 3,5 milhões de euros para apoiar entre 20 e 30 rebanhos. Já existem experiências em curso em Rio Maior, Serra da Estrela, Gavião.   O programa piloto será aprovado provavelmente ainda este mês de Março. 

Note-se que o subsídio para estes serviços ambientais será proveniente to Ministério da Agricultura e Florestas mas as regras da limpeza das florestas são da competência do MAI Ministério da Administração Interna, e acordo com os objetivos defesa das pessoas e bens. 



Isto tem semelhanças com o esquemas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) ou eco sistémicos como definido pelas Nações Unidas
Este apoio financeiro à prestação de serviços de gestão de biomassa com cabras sapadoras destina-se a "comprar" ou remunerar a prestação de um serviço ambiental bem definido, que contribui para a sustentabilidade ambiental, mas que não tem sustentabilidade financeira e pode ser deficitário por si próprio.  
O subsídio PSA serve para complementar o rendimento do prestador, que tem de garantir a execução de um  serviço,  como a limpeza de matas e florestas, cujo benefício económico e ambiental é fortemente positivo a nível macro, da sociedade, mas que pode ser economicamente negativo a nível micro, do prestador do serviço. 

Isto é, o subsídio aplica-se quando os cabritos do ano não compensam andar a correr atrás das cabras durante 12 meses !

·       SMART subsidy, specific, measurable, agreed, realistic, time bound, subsídio inteligente, não avulso.
·       RBF Results based financing, financiamento por resultados verificáveis (limpeza de floresta) não por apenas por inputs (ex. compra das cabras