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Fecha escola, abre escola

sábado, 16 de janeiro de 2010
Há uma semana, dei aqui a 'notícia' do encerramento da única escola que existia em Beijós. Fazendo fé no jornal, a dita escola atraía das terras vizinhas mancebos interessados em aprender gramática, lógica e filosofia! Como também dei conta no Beijós XXI, pouco tempo depois abriu em Beijós uma escola oficial, tendo sido recrutado um cabanenese semi-analfabeto para tentar ensinar aquilo que não sabia. Quando digo semi-analfabeto, não estou a falar em sentido figurado - eu vi as provas escritas que ele prestou, notando-se perfeitamente o esforço com que desenhava as letras e algarismos!
O Portugal saído das lutas liberais não suportava uma escola dominada por padres conservadores e o que aconteceu em Beijós foi consonante com a política nacional - afastar os padres do ensino e procurar que cidadãos liberais cumprissem a função. O irónico da situação é que, como demonstra a avaliação que publiquei neste post, o professor que vinha de Cabanas apenas obteve avaliação positiva a Doutrina Christã!

Cento e setenta anos depois, é possível estabelecer um paralelo nesta história do fecha escola, abre escola. Desta vez, o argumento que foi apresentado para fechar as escolas das aldeias, quando o Governo de Sócrates se preocupava com o défice, foi o elevado custo por aluno que elas implicavam. Chegou a crise e com ela o salvífico investimento público "de proximidade" - construir centros educativos é um desígnio nacional para estimular o emprego! Mas a situação volta a ser irónica, fecha-se escolas para diminuir custos e acaba-se não só por aumentar os custos, mas também por comprometer as necessidades de investimento autárquico noutras áreas. Esta política nacional empurra as autarquias para o défice. No caso do nosso Município, só o Centro Educativo Nun'Álvares vai custar-nos mais de um milhão de euros e, para já, é responsável por 1/6 da dívida de médio e longo prazo. A ironia não fica por aqui - quando o Centro Educativo estiver pronto, faltarão ainda 14 anos para pagar o empréstimo contraído para... beneficiar as escolas primárias que vão encerrar!

Para terminar o post com uma mensagem de esperança, desejo que, pelo menos, os alunos destes caros centros educativos aprendam as bases de cálculo e a importância dos números - quem sabe se não virá o dia em que seja preciso saber fazer contas para exercer o poder político :)

8 Comentários:

Aproveitadinho disse...

Mais investimento do que aproveitamento
Aproveitam mais os empreiteiros do que os alunos

beijokense disse...

Do mal, o menos, esta empreitada foi a concurso público. Ao contrário das benesses para J. P. Sá Couto, Micro$oft, etc. - os grandes beneficiários do "investimento" na educação.
Tanto trabalho para reduzir a massa salarial dos professores e depois esbanja-se tudo isso e muito mais em show off. Agora, ensinar os alunos a ler, escrever e contar é que não - não é moderno.

beijokense disse...

«Há é uma outra explicação, que nunca é referida: nenhum desses países que conseguiram uma alfabetização de massas durante o século XIX o fez contra a Igreja; foi sempre em articulação com ela. Ora em Portugal, primeiro com os liberais, a partir de 1820, e depois com os republicanos, o Estado não só tentou alfabetizar a população contra a Igreja, como entendia que a alfabetização era um veículo para substituir a educação religiosa por uma educação cívica formatada em Lisboa. As ordens religiosas, que em muitos países foram fundamentais para criar uma rede de escolas, em Portugal não podiam sequer ensinar a ler durante a Monarquia constitucional. Ou seja, tínhamos na Igreja uma instituição que podia ter sido fundamental para a alfabetização da população e preferimos chamar tudo para a alçada do Estado, que não tinha recursos e, portanto, falhou.
Foi por um excesso de Iluminismo que se produziu o obscurantismo.»

Lido aqui:
http://ipsilon.publico.pt/livros/texto.aspx?id=249107

beijokense disse...

«A “avaliação de professores” exige que um professor não seja professor ainda que continue a chamar-lhe professor e sustenta que, ao transfromá-lo num não-professor, está na verdade a torná-lo “mais” professor. Perfeito

indocentes disse...

Qual é o futuro da Escola de Beijós?

Anónimo disse...

Fechar.

Anónimo disse...

Segundo a lista publicada no Jornal do Centro de 19 de Agosto, não fecham escolas no município de Carregal do Sal

Victor Peixeira Marques disse...

A escola de Beijós esteve "fechada" mais de um mês na lista da DREC, voltando a "reabrir" nesta ultima lista após tomada de posição da Junta de Freguesia e Câmara Municipal (esta ultima alterando a sua posição inicial que não era contra o fecho), é certo que para o ano não "escapa" ao fecho, será altura para mostrar entre todos (população, pais e autarcas) qual o futuro que se deseja para as escolas da Freguesia.

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