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Estado de Sítio em Beijós - 5

segunda-feira, 12 de julho de 2010
Ill.mo Ex.mo Snr.
Em comformid.e com as ordens de V. Ex.ª indagasse se teria chigado a Administração deste conc.º officio com ordem de V. Ex.ª p.ª a levantar o Destacam.to aqui estacionado na forma q.e V. Ex.ª se dignou pormeternos e como não haja notícia de ter chigado o offic.º mando por isso esse portador como V. Ex.ª me determinou p.ª por elle vir a ordem de levantar o Destacam.to o q.e é de estrema nececidade a vista da opressão q.e lanção a estes pobres Povos.
Outro sim devo dizer a V. Ex.ª que comecei hoje a boletar a tropa p.r iguald.e em todas as casas na forma das ordens de V. Ex.ª porque a contrario alem de ser maior opressão era hum escandalo q.e fazia com que varias pessoas fossem abandonando a Patria e domecilio, e mais continoarião a bandonar se não fosse a ordem de V. Ex.ª p.ª aboletar p.r todos p.r igual.
D.s Gd.e V. Ex.ª
Beijós 21 de Dez.bro 1842
O Reg.dor
Diogo Coelho de Moura
Como referi aqui, o primeiro signatário do abaixo-assinado que pedia o fim do Estado de Sítio em Beijós era o Regedor da Freguesia. Este facto é bastante relevante, já que - como viria a ser realçado pela oposição na Câmara dos Deputados - o Regedor é, ao nível local, o representante da autoridade do Governo e, no abaixo-assinado, revelava-se contra ordens do Governador Civil.
A carta que agora publico foi levada em mão por um portador, directamente do Regedor ao Governador, sem passar pelas autoridades municipais, o que me leva a crer que Diogo Coelho de Moura não confiava na Administração do Concelho do Carregal, ou seja, admitia que a Administração fosse contrária ao levantamento.
A posição do Regedor é firme e até dá a entender que espera que o mesmo portador que leva a carta traga de volta a ordem do levantamento! O outro assunto da carta é a informação de que o Regedor alterou a forma de distribuição da tropa pelas casas beijosenses. No abaixo-assinado dizia-se que essa distribuição fora, muito injustamente, feita ao critério do padre.

O meu tetravô Diogo era meio-irmão do desafortunado João Peixoto, brutalmente assassinado "pelos de Midões". Curiosamente, a mulher de Diogo (irmã do Arcipreste) nasceu em Midões (Vila do Mato), suponho que numa casa ligada a Roque Ribeiro de Abranches, padrinho de João Brandão e, em larga medida, protector dos "de Midões". Diogo viria a ser, na década de 60, vereador da Câmara do Carregal.

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